domingo, junho 20, 2010

Ordem da Fênix


Renascer das cinzas. Tem sido minha sina. Mencionei aqui, por mais de uma vez, que nunca fui muito afeita ao casamento, não da forma tradicional com boa parte das pessoas o concebe. Acredito em cumplicidade, companheirismo e respeito mútuos, pois se não são erguidos esses alicerces, não se pode dizer que existe relacionamento, e se existir não será sólido. Acredito na construção do Amor, em uma relação que seja construída ao longo da convivência e não em paixão arrebatadora, que perturba, desequilibra e causa dor.
Tudo ia bem, do jeitinho que sempre batalhei para ser, até que veio o maldito trabalho. Desde então fiquei à margem, com a sorte entregue aos caprichos do chefe dele, esperando por sua boa vontade em conceder-lhe uma folga. Minha primeira reação foi de raiva, de indignação. Me acalmei e tentei a conversa, tentei mostrar que desse jeito é impossível manter uma relação. Inútil. Existem pessoas que por mais que se tente abrir-lhes os olhos, mais cegas ficam ou que simplesmente escolhem não ver. Esse é o caso, infelizmente. Durante três meses de convivência dei o melhor de mim, fiz o melhor que pude. Portanto não admito receber menos que o melhor. Mas existem pessoas, assim como as cegas, que simplesmente não sabem doar o melhor que têm. Conformam-se com o corriqueiro e não dão um passo em direção ao progresso. Tratam a si mesmas de maneira insignificante e por isso não sabem como dar nada de especial aos outros. Desejam uma vida extraordinária vivendo de forma ordinária. Resumo da ópera: ele se casou com o trabalho e quer que eu seja a amante. Quando sobrar tempo - se sobrar tempo - nos vemos. O pior é que ele acredita mesmo que agir assim é normal. Paciência tem limites e a minha se esgotou. Cansei. Para o bem ou para o mal, não sou mulher de aceitar migalhas, muito menos de mendigar atenção. Se no modo dele enxergar as coisas eu não mereço o melhor, ema, ema, ema. Que procure outra. Uma que faça pouco uso dos neurônios e que tenha baixíssima auto-estima para aceitar restos.
Sou de carne e osso, quero um homem também de carne e osso, presente em minha vida, participando dela.
Não sou qualquer uma. Portanto não aceito qualquer coisa. Vamos a mais um recomeço.

sexta-feira, junho 18, 2010

Aquele Abraço


Hoje de manhã, logo ao acordar, liguei o computador e me deparei com a triste notícia de sua partida. Fui surpreendida assim como o mundo de pessoas que lhe admiram, acredito. É interessante como alguém como você, que nunca conheci pessoalmente, com quem nunca tive a honra de trocar uma palavra sequer,adentrou em minha vida, despertou paixão, fascínio, admiração;alcançou ideais comuns, fez do meu coração eterna morada. Nós humanos e a mesma ilusão de sempre: a de que nossos ídolos nunca irão partir. O deleite provocado por suas palavras é tão real, despertam emoções e sentimentos tão intensos, que nos dão a sensação de que ficaria aqui para sempre. A palavra é o seu dom e foi essa sua missão na Terra. Conquistaste servos fieis que verdadeiramente "saboreavam" cada estrofe, cada verso, cada palavra tua. Para completa tristeza de seu séquito as cortinas do belo espetáculo que foi sua vida fecharam-se hoje. Não irás escrever mais, é certo, não teremos mais novos pensamentos lúcidos e inspiradores a mover nossas ações, porém permanecerás vivo através de sua obra. Estou totalmente de acordo com Fernando Meirelles, quando ele disse que "o mundo hoje ficou mais burro"...
Descansa em paz. Segue teu caminho, continua tua jornada, Dom Quixote do século XXI. Escreve nas estrelas a essência de tua palavra. Grava teus ideais na órbita dos planetas.
Hoje a Literatura Universal ficou lamentavelmente órfã. Morreste na Terra, mas renasceste no Olimpo. Tua morada agora é ao lado de Pessoa, Machado, Sheakspeare, Cervantes e de muitos outros deuses.
Muito obrigada, aquele abraço.

Uma Deliciosa "Receita da Vida"


Há dois dias atrás, como mencionei aqui, revirando meu acervo pessoal encontrei alguns textos, uns de minha autoria, outros não. Hoje resolvi compartilhá-lo mais um deles com vocês:

Jogue fora todos os números não essenciais para a sua sobrevivência. Isso inclui idade, peso e altura. Deixe o médico se preocupar com eles. Para isso ele é pago.
Frequentemente dê preferência aos seus amigos alegres. Os de "baixo astral" puxam você para baixo.
Continue aprendendo. Aprenda muito sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixe seu cérebro desocupado. Uma mente sem uso é oficina do diabo. E o nome do diabo é Alzheimer.
Curta coisas simples.
Ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego.
Lágrimas acontecem. Aguente, sofra e siga em frente. As únicas pessoas que acompanham você a vida toda são você mesmo e Deus.
Esteja vivo enquanto viver.
Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta: podem ser animais, lembranças, música, plantas, um hobby, o que for.
Aproveite sua saúde. Se for boa, preserve-a; se está instável melhore-a; se está abaixo desse nível, peça ajuda.
Não faça viagens de remorsos. Viaje para o shopping, para a cidade vizinha, para um país estrangeiro, mas não faça viagens ao passado.
Diga a quem você ama que você realmente os ama, em todas as oportunidades.
E LEMBRE-SE SEMPRE: a vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego - de tanto rir, de surpresa, de êxtase, de felicidade"...

(Dona Cacilda, 92 anos)

quarta-feira, junho 16, 2010

Os Dez Mandamentos do Leitor



Revirando meu acervo pessoal em busca de alguns rascunhos antigos, encontrei esse belo texto adaptado do original de Alberto Mussa*. O conteúdo é tão atual, que vale à pena a transcrição:

I. Nunca leia por hábito. Leia por vício. A leitura amplia a compreensão do mundo, aprimora a capacidade de expressão, diminui a ansiedade. Mas é essencialmente lúdica, como devem ser as coisas que nos dão prazer;

II. Comece a ler desde cedo. E comece pelos clássicos;

III. Nunca leia sem dicionário. Se estiver fora de casa, anote as palavras que você não conhece, para consultar depois. Elas nunca são escritas por acaso;

IV. Perca menos tempo diante do computador, da televisão e estabeleça metas. Se puder ler um livro por mês, dos 16 aos 75 anos, você terá lido 720 livros;

V. Faça do livro um objeto íntimo. Escreva nele; assinale as passagens emocionantes. O livro é o mais interativo dos objetos. Você pode avançar e recuar, folheando, e ele vai com você a todos os lugares;

VI. Leia sempre Literatura Brasileira: ela está entre as grandes;

VII. Das Letras europeias e da América do Norte vem a maioria dos nossos grandes mestres. A Literatura hispano-americana é indispensável. Busque também o diferente: há grandezas literárias na África e na Ásia. Volte à Idade Média, ao mundo árabe, aos clássicos gregos e latinos. Chegue, finalmente, às mitologias dos povos ágrafos, mergulhe na poesia selvagem. São eles que estão na origem de tudo; é por causa deles que estamos aqui;

IX. Tente evitar a repetição de temas, estilos e autores. A grande Literatura está espalhada por romances, contos, crônicas, poemas e peças de teatro. Nenhum gênero é, em tese, superior a outro;

X. Forme o seu próprio cânone. Se não gostar de um clássico, não se sinta menos inteligente. E faça seu próprio decálogo: neste momento, você será um leitor.

* Escritor carioca

domingo, junho 13, 2010

Evolução?



Maneira mais simples, mais econômica e menos constrangedora que descobri de se fazer terapia; um dos caminhos mais curtos que conheço na busca pelo autoconhecimento e manutenção da auto-estima; ritual mais eficaz para exorcizar demônios. Por isso escrevo. É minha sina. Escrever me possibilita vivenciar a plenitude e a unidade. Quando escrevo sou inteira. Sou genuinamente eu mesma, sinto minha essência projetando-se para o mundo através das palavras. Sou incorrigivelmente profunda, irremediavelmente sensível e incontestavelmente humana. Minha humanidade está para além dos conceitos e padrões pré-estabelecidos, do politicamente correto. Talvez por isso mesmo eu tenha dificuldades gigantescas para compreender como se tornou natural, nas relações de nossa espécie, esse tipo de comportamento superficial, baseado em individualismo, egoísmo e atitudes bestiais.
Desde que me entendo por gente nunca fui dada às frivolidades que atraem boa parte da humanidade e sempre me senti um tanto marginal, por não me reconhecer como parte de um mundo ao qual repudio. Seres humanos são falhos, passíveis de erros e enganos? Certamente. Mas o que eu não consigo alcançar é falta de 'humanidade' na maioria de nós. Onde foram parar o respeito, a consideração, a fraternidade?
A Humanidade está seriamente enferma e insana. Nossos problemas estariam resolvidos se simplesmente não fizéssemos a outrem aquilo que não gostaríamos que não fizessem a nós. Discurso ultrapassado, talvez. Mas acredito que mais ultrapassado é vivermos como selvagens, em pleno século XXI, ainda nos matando, como bárbaros. O avanço da tecnologia e da ciência não significam necessariamente que evoluímos moralmente. Há anos-luz de distância entre uma coisa e outra. E se todo esse progresso alcançado não nos ajudou em termos de evolução humana, qual sua finalidade? Se ainda vivemos numa era em que a maioria da população terrestre não possui condições dignas de sobrevivência, surge a questão: atingimos verdadeiramente o progresso? Evoluímos realmente?
Utopia é tudo aquilo que não ousamos realizar. Parafraseando Einstein, "grandes almas sempre encontraram forte oposição de mentes medíocres".

sábado, junho 12, 2010

Faxina da Alma


"Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e, o mais importante, acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado.
Chorou muito? Foi limpeza da alma.
Ficou com
raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.
Sentiu-se só por diversas
vezes?
É porque fechaste a porta até para os anjos.
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora.
Pois é... agora é hora de reiniciar, de pensar na luz, de
encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Um corte de cabelo arrojado diferente,
um novo curso, ou aquele velho desejo de aprender a pintar, desenhar, dominar o computador, ou qualquer outra coisa.
Olha quanto desafio, quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando...
Tá se sentindo sozinho?
Besteira, tem tanta gente que você afastou com o seu 'período de isolamento'...
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para 'chegar' perto de você. Quando nos trancamos na tristeza, nem nós mesmos nos suportamos, ficamos horríveis. O mau humor vai comendo nosso fígado, até a boca fica amarga. Recomeçar...
Hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar? Alto? Sonhe alto!
Queira o melhor do melhor.
Queira coisas boas para a vida.
Pensando assim, trazemos para nós aquilo que desejamos.
Se pensamos pequeno, coisas pequenas teremos.
Já se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente lutarmos pelo melhor,
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental.
Jogue fora tudo que te prende ao passado, ao mundinho de coisas tristes.
Fotos, peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagens e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora, mas principalmente esvazie seu coração.
Fique pronto para a vida, para um novo amor.
Lembre-se, somos apaixonáveis, somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes, afinal de contas, nós somos o 'Amor'.
PORQUE SOU DO TAMANHO DAQUILO QUE VEJO, E NÃO DO TAMANHO DA MINHA ALTURA".



(Carlos Drummond de Andrade)