Minha vida não é minha.
Uma Alma me foi dada.
Nada possuo.
Verdadeiramente
nada me pertence.
Nem mesmo esse cárcere
a que chamamos corpo.
Quando eu partir,
ele se tornará adubo
para o solo,
fonte de Vida
para os vermes.
A única coisa que possuo
é o livre-arbítrio,
a liberdade de escolha.
E como roteirista
de minha existência
tenho apenas dois caminhos:
narrar uma estória medíocre,
insípida e inútil,
que nada acrescentará
àqueles que irão dividir
o palco comigo,
ou posso escolher
criar um verdadeiro concerto,
cujas melodias
possam ressoar no universo,
unindo mentes e corações,
em louvor à Criação.
Como protagonista
de mim mesma,
escolho fazer da Vida
minha grande obra-prima.
Para realizá-la,
preciso de artistas
dos mais variados
dons, talentos
e capacidades.
Para compor
minha obra máxima
preciso de todos.
Anulando o ego,
desatando as amarras
da incompreensão
e da intolerância,
mergulhando em meu semelhante,
quem sabe
posso alcançar
a profunda
e verdadeira essência
da natureza humana...
Eu não pertenço a mim mesma.
Todas as minhas obras
são realizadas pela
Sagrada Chama da Vida
que arde aqui dentro.

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