
Ontem seguindo o link postado por Jean Wyllys no twitter, no qual havia uma resenha sua sobre o livro
Carta entre amigos, de autoria de Gabriel Chalita e Fábio de Melo, fiquei um tanto indignada(acredite, esse tipo de postura ainda me indigna!)com um dos comentários, que afirmava:
"mas dizer que não são cartas trocadas por dois homossexuais... pelo amor de Deus...tá na cara que são... o que não seria nenhum problema". Quando li isso senti um misto de revolta e pena do pobre coitado que escreveu isso. Revolta porque estamos em pleno século XXI e boa parte das pessoas ainda se encontra com a mentalidade de dois séculos atrás; revolta porque a maioria dos seres humanos encontra-se no estágio mineral da evolução, sem a menor sensibilidade para as coisas do espírito. Pena porque uma criatura que escreve algo desse tipo é tão ignorante, tão sem bom senso, tão sem noção e evidente que não tem o menor conhecimento de Literatura - tema da resenha, que só me resta sentir pena mesmo. Em primeiro lugar, se ele conclui dizendo: "o que não seria problema algum", por que comentar, então? Se ele não se importa, qual a necessidade de se prender a esse detalhe? É no mínimo uma afirmação contraditória.
Antes os homofóbicos assumidos do que essa gente que encobre seus preconceitos sob a faixada da modernidade. Em nossa sociedade é proibido a dois homens trocar palavras de afeto e amizade que já são rotulados de homossexuais, como se isso fosse crime. E se fossem, que diferença faria? Nossa sociedade é ainda influenciada pela "síndrome do macho dominante", onde para ser homem de verdade é necessário ser grosseiro e sob hipótese alguma, demonstrar suas emoções. O ponto em questão não é a opção sexual dos autores, mas sim a sensibilidade de suas reflexões, que cabem a qualquer ser humano - homem, mulher, hetero, homo, jovem ou idoso.
Infelizmente nossa sociedade está cada vez mais míope, porque só enxerga as coisas através da lente do preconceito com o diferente,com o que está "fora dos padrões". Demonstrar sentimentos em público é para poucos e atitude raríssima em tempos de superficialidade generalizada.
Independente da opção sexual dos autores em questão, ao externalizar seus medos e experiências eles foram muito "mais homens" do que a maioria que assim se considera.
Preconceito é ignorância.