
Queria ser como a maioria das pessoas comuns é, de achar tudo normal, de não me indignar com absolutamente nada, de acreditar simplesmente que a vidinha medíocre que insistem em me empurrar goela abaixo é a única opção possível. Quisera eu o poder de extinguir sonhos, erradicar desejos, calar emoções. Quisera eu não ter consciência, ser completamente cega e alienada, aquém de tudo o que acontece no universo ao meu redor. Quisera eu permanecer incólume às barbáries e injustiças de nossa época. Se tivesse nascido pedra seria bem mais fácil: era só ficar lá, inerte, passiva, ao sabor dos séculos. Mas nasci oceano. Desses que abarca tudo para si, que absorve, envolve e serve de morada.
Doença auto-imune em estágio avançado.
"Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como os outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar das fontes iguais às deles;
e era outro o canto, que acordava
o coração de alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho".
(Edgar Allan Poe)

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