
Adoro crianças, tenho muito traquejo com elas, mas desde que me entendo por gente, nunca me enquadrei, como a maioria das mulheres, nesse perfil de vestido de noiva, casamento, dona de casa. Nada contra, mas acredito que não é a única maneira de uma mulher se sentir realizada. Ainda na infância, percebi que era diferente das meninas da minha idade: sempre gostei de coisas que praticamente nenhuma delas gostava, tinha uma curiosidade enorme em conhecer o novo, o diferente. Não sei se pelo fato de ter sido criada em meio aos mais velhos e sem crianças ao redor, sempre diziam que eu já havia nascido adulta. Para o bem ou para o mal, minha adolescência foi uma fase que teve uma certa dose de rebeldia, muitos questionamentos, dúvidas, enfim, um emaranhado de perguntas sem respostas que me levaram ao amadurecimento precoce. Aos dezesseis anos me tornei mulher. Foi um período um tanto doloroso, tanto física quanto emocional e psicologicamente, mas que teve sua dose de encanto...
Namorados? Tive poucos. Aliás, pouquíssimos, se levar em conta a liquidez dos relacionamentos modernos. Talvez por isso tenha me tornado algo que me situa entre ser homem e mulher: apesar de pertencer ao sexo feminino, não me reconheço como uma integrante de meu gênero, no que diz respeito a forma de pensar, agir e ser da maioria das mulheres. Sou mulher, adoro pertencer à espécie, mas na maior parte do tempo, penso com o senso prático tão peculiar do sexo masculino. Mas não abro mão da docilidade e ternura femininas. Creio que aprendi a dosar bem as duas coisas. Cheguei à balzaquianice assumida e orgulhasamente solteira, e acredito que chegar a essa altura da vida sem ter casado me foi um tanto benéfico: se por um lado, não tive a chance de desfrutar as delícias e desventuras da maternidade, por outro, aprendi que estar só é estar bem comigo mesma, luxuosamente só, imersa em atividades de minha própria escolha, apreciando a própria presença mais que a ausência de outros. A solidão é um ganho pessoal.
Não quero um príncipe. Deus me livre! Primeiro porque sou de carne e osso(mais carne que osso, diga-se de passagem) e príncipes só existem em contos de fadas; depois, já passei da idade das fantasias e apesar de viver com a cabeça nas nuvens, mantenho os pés enraizados no chão; e ainda tem mais uma coisa: dias há em que acordo ogra. E um príncipe, certamente, não suportaria isso. O que quero mesmo é uma parceria para vida. Sem a menor necessidade de contratos, burocracias ou juramentos. Casamento é comunhão de almas. Sentimentos cabem numa folha de papel?

Um comentário:
Já era tempo desse talento desabrochar na internet e divulgar para muitos quantas coisas boas existem por aqui.
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