
Sexta-feira. No último dia da semana, invariavelmente, estou cansadíssima, no limite de minhas forças. Buscando, com a paciência de um iogue, cumprir minha rotina com o mínimo de dignidade. Em plena sexta, 9:36h da manhã, é uma árdua tarefa prestar atenção à aula de Comunicação, Sociedade e Cultura. O professor até que é gente boa. Já a aula... Deus me defenda!
O cara usa uma metodologia jurássica, dinamismo abaixo de zero e a criatividade está há anos-luz da atividade cerebral dele. Como é possível a um ser humano de plena posse de suas capacidades de reflexão e senso crítico, sobreviver à essa tortura psicológica? Já fizemos algumas sugestões, mas parece que ele não entende nossa língua. Só sei que assistir a duzentos minutos de uma explanação que parte do nada para chegar a lugar nenhum, repleta de pensamentos sem uma gota de coerência, afeta seriamente a saúde dos meus neurônios. Os pobrezinhos se debatem, à espera de uma discussão ou polêmica que os possam estimular à atividade, mas é inútil. Tenho tentado convencê-los de que é menos desgastante fingir que aprendemos enquanto Iodo finge que ensina; enquanto ele finge dar aula, nós fingimos prestar atenção. No meu caso, só se for na companhia de Saramago, Clarice ou Guimarães Rosa - ai de mim se não fossem eles!!
Agora sei o porquê cursei Letras por três anos. Para evitar que minha mente sucumba ao pecado da mediocridade...
A Literatura é e sempre será minha salvação. Oremos.

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