sábado, junho 20, 2009

Todas elas num só Ser

Sou habitada por uma legião diversa, esparsa e informe, que de mim faz o que sou e o que não sou. São muitas as mulheres que me habitam. Melodias multívocas executadas por um mesmo maestro. Ora soam plácidas, revigorantes; ora soam melancólicas como um grito de alerta. Ou de alento. Sou um ser concomitante: reúno em mim as mulheres de minhas raízes passadas, presentes e futuras. Sinto sede de Vida, de viver e gerar vida. Viver é meu anseio, a única salvação que conheço para encontrar a mim mesma. Quero viver todas as mulheres que existem em mim de uma só vez, na vida presente. Meu único limite é o corpo, esse casulo vil e cruel, escravizante e dominador. Quisera eu não possuí-lo e seria a mais feliz das criações: não existiriam desejos, nem dor, nem a escassez da beleza e do viço da juventude. Existiria unicamente minha essência, tal qual sou. Não haveria a imensidão da cama nem o abismo da alma.
O recurso da bolsa colorida, o recurso do sono, o recurso da música, o recurso da caminhada, o recurso da filosofia e da poesia. Todos eles... e nenhum resolve.
Quero beber a Vida de um só gole.
A boca está comendo Vida, o corpo está entupido de Vida.
A Vida é imortal, escorre e transborda.

Um comentário:

Anônimo disse...

Demorei, mas apareci! Gostei mt do seu blog. Os textos são deliciosos. Parabéns pelo bom gosto e sensibilidade.
Bjus, Porfiria