
por Masanobu Taniguchi Sensei, Supremo Presidente da Seicho-No-Ie, quarta, 23 de março de 2011 às 21:18h
Na Imagem Verdadeira do mundo criado por Deus, Natureza e seres humanos estão sempre em harmonia como um só ser. A Natureza mantém e sustenta os seres humanos, fornece a eles meios de se expressarem e lhes dá alegria. Os seres humanos são gratos por isso, amam a Natureza, fornecem a ela nutrientes e a cultivam, tornando-a abundante. Não há lacuna nem atrito entre eles, nem existe qualquer distinção ou diferença entre ambos.
O corpo físico que foi concedido aos seres humanos para sua autoexpressão é feito da mesma composição material da Natureza, a qual os cerca. Assim, os seres humanos obtêm oxigênio na Natureza e o transformam em energia, bebem água e a transformam em óleo lubrificante para si próprios, e assimilam alimentos para manter seus corpos físicos em condições de ajudá-los a crescer. Abençoados são aqueles que podem visualizar a sabedoria, o amor e a Vida de Deus nesse fluir do mundo material, dentro da circulação de moléculas e átomos. Coisas materiais são os resultados; Deus é a fonte. Deus vê a Imagem Verdadeira de todos os seres em perfeita e completa harmonia, sustentando-se uns aos outros, e declara ser “muito bom”.
Não ver a Imagem Verdadeira, e olhar o “indivíduo” como realidade e centro ou foco do mundo, é ilusão. Quando os seres humanos veem apenas “a perda ou o ganho individual”, eles perdem a visão da Grande Harmonia entre eles e a Natureza. É uma tolice os seres humanos observarem as deficiências e inadequações da Natureza, considerarem-na como um obstáculo, tentarem colocá-la sob seu controle, e alterarem sua composição, a fim de usá-la para suas próprias vantagens. Olhar para uma parte da Natureza como sendo algo hostil e destruidor é vergonhoso. Ao fazerem isso, os seres humanos perdem seu senso de unidade com a Natureza e causam a diminuição das bênçãos provenientes dela -- entre as quais inclui-se a força de autocura -- e até mesmo perdem a sua razão de viver.
Se os seres humanos pensam que a Natureza seja uma inimiga ou algo hostil, como reflexo da mente iludida, aparecem, então, condições na Natureza por ela ter sido tratada ou considerada hostil. Embora os seres humanos possam desbastar montanhas, cortar florestas, represar rios, encher lagos e oceanos, e atentar apenas para a própria prosperidade, esses fatos não são a vontade de Deus. Isso é um trabalho criativo falho, que nem um pouco espelha o mundo da Imagem Verdadeira que Deus declara ser “muito bom”. Sempre chegará a hora em que aquilo que não é a Imagem Verdadeira encontrará a destruição e a ruína. É o colapso daquilo que é falso, e a desintegração e autodestruição do carma.
Entretanto, não devemos considerar esse fato como sendo “ira de Deus”. Não devemos olhar para o tsunami (N. da T.: onda gigante) movendo-se a uma velocidade incompreensível, destruindo vastas áreas agrícolas, levando tudo que encontra pela frente, e pensar que seja ação de Deus, tomado pela ira e pela fúria. Deus não destrói montanhas, nem eleva o nível dos mares. Ele não transforma praias em terras agrícolas. Ele não constrói fábricas. Ele não constrói aeroportos ou áreas para pesquisas nucleares. Esses são todos atos dos seres humanos que pensam em seus próprios lucros e benefícios, sem considerar a extinção de espécies de plantas e animais. Terremotos que atingem as ilhas japonesas e as áreas de dentro e ao redor da Nova Zelândia são parte das mudanças da crosta terrestre, que ocorrem repetidamente desde remotas épocas, e não são, definitivamente, condições anômalas. Assim parecem devido à estreita visão dos seres humanos, à linha do tempo de seu pensamento ser tão curta e por serem tão centrados em si mesmos.
Não há como os seres humanos prosperarem e viverem de forma eternamente abundante, enquanto conduzirem muitas vidas à extinção e destruírem o sistema existente na Natureza que sustenta e doa. A composição do mundo da Grande Harmonia é feita de tal forma que todas as espécies de plantas e animais florescem somente quando auxiliam, suprem, complementam e doam reciprocamente. Quando os seres humanos não reconhecem ou não compreendem isso, mas, ao contrário, pensam nas outras formas de vida como “ferramentas” ou “inimigos”, ou ainda, até mesmo como “empecilho”, estão mudando um mundo que na essência é estável, para um mundo instável. Os seres humanos precisam aprender com esse “trabalho criativo falho”.
Um grande terremoto não é a “ira de Deus”; é uma “lição da Deusa da Misericórdia e da Salvação”. Somente quando não as temos mais, é que conscientizamos quantas bênçãos a Natureza tem-nos dado. Estamos aprendendo que não importa quantas estruturas artificiais, feitas pelos homens -- campos, portos, estradas, linhas de força, conexões de Internet --tenhamos construído, se ignorarmos ou negligenciarmos a energia e a estrutura expansiva e bela da Natureza e cometermos o tolo erro de desrespeitá-la e violá-la, a vida no mundo civilizado será destruída instantaneamente. A Deusa da Misericórdia e da Salvação, que é a nossa natureza verdadeira, está ensinando a nós, seres humanos, “Sejam mais humildes”, “Conscientizem que vocês são parte da Natureza”, “Restaurem o eu que é uno com a Natureza”.
Não pensem nos desafortunados que foram vítimas do desastre como seres atingidos pela “ïra de Deus”. Deus é o Criador da Terra Pura da Imagem Verdadeira, perfeita e harmoniosa, portanto, não há qualquer necessidade para Ele “ficar com raiva”. Quando a humanidade não consegue despertar de sua profunda ilusão e não é mais possível interromper o aquecimento global e a mudança climática, resultante da contínua destruição da Natureza, passa a ser necessário que algo ou alguém seja o catalisador para despertar as pessoas de seu sono. Os artistas que continuam a criar sua obra de arte, confiando em seu vício nas drogas, são incapazes de reconhecer as falhas em seu trabalho. É quando aparece alguém que diz, enfaticamente, “Esta obra está errada!”. Quando esse grito da “Voz do Deus interior” não alcança muitas pessoas, mesmo que uma ou duas continuem gritando, torna-se necessário que um grupo se una em coro para chamar a atenção ao fato – para dizer “Esta obra precisa ser reescrita; ela precisa ser refeita!” Aqueles que expressaram a tristeza com os desastres do mundo fenomênico têm um papel muito precioso e nobre. Essas pessoas, de fato, são a nossa consciência, são os porta-vozes da verdadeira natureza do filho de Deus. Eles são as Deusas da Misericórdia e da Salvação.
Com humildade, agora, ouvimos os preciosos ensinamentos da Deusa da Misericórdia e da Salvação, e expressamos nossa sincera gratidão e apreço. Com nova resolução, procederemos em direção à Imagem Verdadeira do mundo criado por Deus. Deus, muito obrigado.